quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Meio amor foge



            Nestas poucas e mal escritas linhas, não deixo mais do que uma outra reflexão barata, de outro ser em metamorfose, lutando para livrar-se do asco em que se envolve, que adentra por suas narinas e lhe embrulha o estômago todos os dias ao lembrar de que antes de ser um inseto, ainda é um humano.
            A essa amarga sorte lamento, longe de mim desejar a morte e o tormento, mas essa hipocrisia em que se banham me causa extrema repulsa. Os ouvidos ainda ouvem os gritos, as narinas farejam as flores, os olhos lacrimejam vermelhos, a pele sente o ardor do flagelo, e a língua saboreia o medo. E o pulso ainda pulsa.
            Nazismo. Fascismo. Hiroshima. Nagasaki. Chernobyl. Césio 137. Escravidão. Exploração sexual infantil. Agressão. Maus tratos hospitalares. Fome. Miséria. Imperialismo. Feudalismo. Caça às bruxas. Fofocas. Intrigas. Contendas. Para cada centavo lucrado com a indústria bélica, há milhares de ursinhos de pelúcia e uma Coca-Cola. E ainda teriam nojo de baratas? Além de hipócritas, seriam contraditórios?
E a essa barbaria que contemplo dia a dia, dedico estas poucas e complexas linhas, com palavras bonitas, desconexas, descompassadas, destruídas, rimadas e ritmadas. Talvez o ritmo é lento, é denso, é triste. Talvez você pense nisso tudo, talvez descarte esse texto como uma filosofia barata... Talvez. Talvez Gregor Samsa entenderia.
Mas minhas náuseas por estes hipócritas humanos são tão fortes, que escrevi isso tudo para que você sinta um pouco de repulsa também... Repulsa à foto, a este texto desconexo, ao ritmo, à hipocrisia, a mim, um humano.

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